· Distúrbio congénito caracterizado por alterações no desenvolvimento infantil que manifesta-se nos primeiros meses de vida
· Caracteriza-se por um retrocesso das relações interpessoais e diversas alterações de linguagem e dos movimentos
· Os sintomas são reconhecidos principalmente entre os 6 e os 36 meses de idade
· As causas são desconhecidas, mas pode estar associado a factores genéticos e problemas pré e pós-parto
· As crianças autistas possuem, geralmente, aspectos saudáveis e são bonitas (uma das características mais marcantes)
· O processo básico deste sintoma é a perda do contacto emocional e interpessoal, problemas de sociabilidade, isolamento intenso e agressividade
· Observa-se que as crianças não respondem as carícias, palavras nem às atenções dos adultos. em contraste com a apatia frente às pessoas, a criança parece fascinada por objectos giratórios
· Preocupa-se com que o ambiente fique conservado de forma inalterada
· Passa muito tempo a brincar com objectos repetitivamente
· É indiferente às palavras e a qualquer som emitido por outras pessoas, porém pode dar atenção ao ruído de uma porta ou ao barulho de um avião
· Possuem hipersensibilidade ao toque e aos sons
CARACTERISTICAS DO AUTISMO:
. Dificuldade na interacção social:
Dificuldade acentuada no uso de comportamentos não-verbais (contacto visual, expressão facial, gestos);
Dificuldade em fazer amigos;
Apresenta dificuldade em compartilhar
· Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades:
Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados;
Assumir de forma inflexível rotinas ou rituais (ter "manias" ou focalizar-se em um único assunto de interesse);
Maneirismos motores estereotipados (agitar ou torcer as mãos);
Preocupação insistente com partes de objectos, em vez do todo (fixação na roda de um carrinho)
ANOMALIAS DA LINGUAGEM:
1. Repetição em eco das palavras que lhe são dirigidas.
2. Repetição de uma palavra ou de um grupo de palavras, sem significação afectiva.
3. O uso da palavra "sim" representa uma dificuldade frequente, como se indicasse um envolvimento com outras pessoas.
4. Apresentam problemas na aprendizagem dos pronomes "eu", "tu" e "nós", utilizando-os de maneira desorganizada.
5. Dificuldade de comunicação, mutismo, inversão pronominal (troca o "eu" por "você"), incompreensão da linguagem figurativa.
ANOMALIAS MOTORAS:
- Podem permanecer imóveis durante um tempo prolongado.
- Distúrbios de comportamento, actos ou rituais estereotipados, repetição de um mesmo movimento com o tronco para frente e para traz.
- Movimentos com as mãos e braços no vazio, sem qualquer significado.
- Caminhar rígido ou em círculos, com os braços apertados sobre o corpo.
- Obsessão por uma actividade, desenham ou jogam xadrez horas a fio compenetrados.
- Hiperactividade.
ETIOLOGIA:
A origem desta doença, actualmente ainda é desconhecida. Existem teorias que atribuem causas de ordem genética hereditária, perturbação precoce das relações interpessoais e uma combinação de factores orgânicos e afectivos. B. Rimland opina que existe uma grande semelhança entre a conduta das crianças autistas e das crianças vítimas de privação sensorial, sendo o autismo mais grave e intenso que a privação sensorial. Segundo a descrição do autor, as crianças inacessíveis aos estímulos externos, como se estivessem confinadas, sugerem a hipótese de uma lesão no sistema reticular, cuja origem seria uma hiperoxia. E. Schopler atribui os problemas de adaptação da criança autista, a uma disfunção do uso dos receptores, isto é transtornos perceptivos, dificuldade para discriminação de imagens com objetos vivos ou inanimados.
E. M. Ornitz e R. Ritvo, afirmam que a criança autista apresenta uma incapacidade para manter a percepção constante, ou seja, percepções idênticas que se originam dos estímulos do meio ambiente, não são experimentadas como sendo as mesmas a cada vez. Outras hipóteses sobre autismo, como as de B. Bettelheim, Escalona, J. Lanouziere, T. Lainé e outros, que centralizam seus interesses teóricos no fenómeno da percepção, passam superficialmente pelo fenómeno essencial, da ausência de impulsos afectivos. Não se trata, contudo, de um fenómeno que possa ter ligação com os processos perceptivos e discriminativos, porque a criança autista discrimina perfeitamente e rechaça exclusivamente a relação humana.
PROGNÓSTICO:
· A ocorrência do autismo é de uma em cada 2.500 crianças, sendo mais comum nos homens
· Os graus de autismo clássico variam de, mais grave ate à síndrome de Asperger, bem mais leve
· Abrange desde uma criança muda, retardada e agressiva a "génios", como Mozart, que teria todas as características de Asperger
· A cura ainda não há, retardo mental ocorre em 80% dos casos, cerca de 15% das crianças autistas quando estimuladas adequadamente, conseguem uma recuperação social, na idade adulta, que os permite viver com certa independência assistida e até trabalhar
· 25% dos autistas alcançam um desenvolvimento parcial menos significativo, impondo que vivam bem na casa de seus familiares, com sinais evidentes de autismo, sem capacidade de trabalhar e viver independentemente
· Aproximadamente 60% das crianças autistas, por vários factores, não conseguem obter um desenvolvimento satisfatório
DIAGNÓSTICO DIFERENCIADO:
· O autismo infantil pode ser confundido com retardamento mental, surdo-mudo, síndrome de trauma craniano (pré natal, natal e pós natal), afasia e síndrome pós encefálico
· A grande diferença é que os outros quadros apresentam mais ou menos intacta a resposta afectiva.
· As crianças com retardamento mental, aprendem a falar e tentam formar um relacionamento afectivo com seus familiares, no entanto, os autistas, apresentam anomalias de linguagem, repelem o contacto com as pessoas e afastam o olhar quando alguém os encara
· Ocorrem, eventualmente casos de crianças autistas serem diagnosticadas como surdas-mudas, devido ao fato de não comunicarem verbalmente, levando a crer que nem conseguem ouvir
· Há provas demonstrando que o autista possui a sua capacidade auditiva intacta. Os surdos-mudos, por outro lado, procuram um relacionamento com outras pessoas expressando-se mediante gestos, indicando necessidades e desejos, usando sons vocálicos desarticulados com finalidade comunicativa
· Nos casos de síndromes de traumas cranianos não verificam-se as alterações de linguagem e de movimento que ocorrem nos autistas e nem de bloqueio da afectividade. Nas crianças com trauma craniano podem ocorrer paralisias, movimentos desarticulados, atrofias musculares, deformações no crânio, incapacidade de concentração por muito tempo que são sintomas ausentes nos autistas
· Os portadores de afasia procuram relacionar-se com outras pessoas, apesar de não possuírem capacidade para expressarem-se através da linguagem. Nos casos de síndrome pós encefálicas, são observados sintomas frequentes de desordens do comportamento social, irresponsabilidade, reacções emocionais impulsivas e ocasionalmente sinais neurológicos
TIPOS DE TRATAMENTO:
· O tratamento convencional de crianças autistas, consiste em psicoterapia individual ou de grupo, como Ludoterapia ou Musicoterapia
· A utilização de medicamentos psicotrópicos tem mostrado resultados ineficazes
BIODANÇA PARA CRIANÇAS AUTISTAS:
· O autismo infantil tem como base uma alteração na região límbico hipotalâmico e nas vias córtico diencefálicos, que bloqueiam os sentimentos de afecto e comunicação
· Esta anomalia pode surgir através de uma predisposição hereditária, convergente com factores ambientais no decorrer dos primeiros meses de vida
· A acção terapêutica, no entanto, deverá ser dirigida no sentido de uma activação global da região límbico hipotalâmico, estimulando respostas de comunicação, cinestésica, afectivas e eróticas.
PROPOSTA DA BIODANÇA:
1. Local acolhedor, uma sala espaçosa, arejada, bem iluminada de preferência com piso de madeira, sendo que as actividades são realizadas eventualmente ao ar livre e também em piscina aquecida.
2. Objectos intermediários: um bom aparelho de som, colchões, bolas de ténis, etc.
3. Actividades progressivas que propõem, inicialmente contactos corporais aparentemente casuais, subtis e breves.
4. Massajar as costas e as solas dos pés com as bolas de ténis.
5. Massagem com as mãos, inicialmente de uma pessoa com quem estabelece a troca, posteriormente, realizada por várias pessoas.
6. Jogos de contacto: pronunciar frases com sentido de afecto, ao mesmo tempo em que a criança toca na garganta do professor, percebendo as vibrações das cordas vocais. Depois invertendo as posições.
7. Acarinhamento: a criança deve aprender a receber carícias, desde que surja espontaneamente o seu desejo de dar carícias.
8. Brincadeiras de roda, danças integrativas (dança grega, ciranda nordestina, danças circulares, danças sagradas), rodas de comunicação criativa e afectiva.
9. Seguir o ritmo da melodia com movimentos de cabeça e pescoço, depois, ombros e braços e em seguida quadris e membros inferiores, posteriormente integrando os três centros em movimentos suaves.
10. Acarinhar a criança num berço humano.
11. Exercícios de contacto afectivo, seguidos de activação gradativa. Utilização de música rítmica e melódica, com volume médio.
12. Alcançado um estágio mínimo de comunicação verbal e corporal, é feita a integração de maneira progressiva, a um grupo de crianças normais. A estrutura do grupo seria em média de: 4 crianças autistas; 8 crianças normais, com 1 facilitador e 5 monitores dando apoio.
CONCLUSÃO
· Esta enfermidade é a enfermidade do contacto e da comunicação. É o exemplo mais significativo da relação neurológica que existe entre afectividade, contacto corporal e comunicação.
· Esta função bloqueada no portador de autismo, não é uma anomalia do córtex, como ocorre no caso de uma criança deficiente mental. É uma típica disfunção das estruturas límbico-hipotalâmicas, que são as fontes biológicas das emoções.
· O autista é capaz de entender apenas emoções "simples, fortes e universais", como as de uma criança, mas fica confusa com as mais complexas.
· "A Principal emoção de um autista é o medo, o mais primitivo dos sentimentos humanos".
· A enfermidade está constituída pela repulsa ao contacto, a carícia, a tudo que está relacionado a demonstração de afectividade humana.
· A boa saúde representa a recuperação da necessidade de contacto e não apenas, um processo formal de socialização.
· O autismo é uma síndrome que concentra as mais profundas reflexões sobre o valor terapêutico das carícias.

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